SÃO JOSÉ: MODELO DE FÉ E ESPERANÇA PARA OS DESAFIOS DO NOSSO TEMPO

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    SÃO JOSÉ: MODELO DE FÉ E ESPERANÇA PARA OS DESAFIOS DO NOSSO TEMPO

    Frei Vitor Vinicios, OFM[1]

     

    Ao celebrarmos São José, somos convidados a voltar o olhar para um exemplo de fé para nosso tempo. Essa figura paterna, narrada na literatura cristã, é posta como um homem “reto” ou “justo”, no sentido de ter vivido uma vida obediente ao chamado de Deus. Além disso, é visto pelo evangelista Mateus como elo entre a continuidade da antiga promessa feita a Abraão e Moisés e a ruptura, na perspectiva de ser plenificada pelo Filho de Deus. Esse elo, expressado na figura de São José, significa renovar a esperança de um povo marcado pela dor. Sua figura é a ponte que recoloca a possibilidade, por meio do Filho, de uma nova terra prometida que não se resume à geografia de um espaço, mas em uma terra prometida marcada nos corações de todos aqueles que aderem à Boa Notícia do Senhor. Assim, retomemos dois aspectos dessa figura singular na vida da Igreja que nos ajudam a viver nossa missão no aqui e agora.

     

    É preciso afirmar que esse modelo de fé carrega mensagens necessárias ao nosso tempo, com seu silêncio e testemunho de vida. É um exemplo de masculinidade como pai e esposo em um mundo marcado pela dor do feminicídio, pelo abandono da paternidade e por tantas outras mazelas derivadas de uma imagem masculina deformada. Por outro lado, é também o patrono do trabalho que nos sinaliza a pensar nas realidades de precarização do trabalho, perda de direitos e adoecimento desse universo. Sua veneração como patrono daqueles que lutam, diariamente, por um pão, nos leva a valorizar todas as lutas já travadas para a garantia de um mundo mais justo. Olhando para o agora, entendemos a necessidade de lutar contra os discursos depreciativos e de desmonte sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que são balizas que resguardam os direitos dos trabalhadores/as. Devemos recordar que todos esses direitos foram conquistados por trabalhadores, cuja realidade de segurança trabalhista ainda é inalcançada em muitos países. Contudo, é preciso ter também a coragem de se abrir a novos modelos de trabalho diante das transformações de nosso tempo.

     

    Enfim, que São José seja esse alimento em nossas vidas, levando-nos a ter confiança no convite que Deus faz a cada um de nós. Que possamos esvaziar-nos das autossuficiências e acreditar na bondade de um Deus que nos convida a assumir nossos compromissos e transformar as pequenas e grandes realidades por meio do anúncio do Reino nos corações de tantos/as trabalhadores/as.

     

    [1] Graduado em Filosofia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino, graduado em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, diretor Pastoral no Colégio Santo Antônio e Especialista em Ensino Religioso pelo Instituto Pedagógico de Minas Gerais, IPEMIG.

     

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