V Semana Teológica CSA – Mariologia

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    V Semana Teológica CSA – Mariologia

    Ciclo de palestras sobre a Mariologia leva à reflexão sobre o real papel da mãe de Jesus no plano da salvação.

     

    santa-mariaPara os católicos, Maria ocupa uma posição devocional de destaque, mas a tradição popular mariana muitas vezes extrapola o ensinamento do Magistério da Igreja. Em cânticos e orações, passados de geração a geração, são atribuídas à Maria qualidades divinas: ela seria a rainha, a senhora, a advogada, a intercessora.

     

    A Mariologia, vertente da Teologia dedicada aos estudos sobre Maria, reverencia a mãe de Jesus e reconhece seu lugar especial na Igreja. No entanto, indo além do culto e da tradição, parte da Bíblia e dos dogmas na tentativa de dimensionar seu papel e sua importância no projeto da salvação. Uma discussão cujas diretrizes atuais remontam ao Concílio Vaticano II e que é fundamental para o diálogo ecumênico.

     

    Na semana passada, vários ângulos do tema foram discutidos durante a V Semana Teológica, promovida pela Pastoral do Colégio Santo Antônio.

    Ao longo de quatro noites, cinco palestrantes trouxeram informações e reflexões relevantes para os cristãos. O diretor pastoral do colégio e professor de Mariologia, frei Jonas Nogueira da Costa, discorreu sobre “Mariologia Ecumênica”.

     

    Frei Joaquim Fonseca, professor de Liturgia e Arte Cristã na Faculdade Jesuíta (Faje) e no Instituto Santo Tomás de Aquino (Ista), proferiu a palestra “Educar à Piedade Mariana”.

     

    “Maria e o Espírito Santo na América Latina” foi o tema abordado por Dom João Justino, perito da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e bispo-auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte.

     

    IMG_2701Finalmente, coube a Fabrício Veliq, doutorando em Teologia pela Faje, e Tânia Mayer, mestre em Teologia Sistemática pela mesma universidade e integrante da Comissão de Publicações do Vicariato Pastoral e do Projeto Teologia Viva da Arquidiocese de Belo Horizonte, encerrar a semana com a palestra “Maria sob Dois Olhares: Perspectiva Protestante e Perspectiva Feminista”.

     

    Na parte cultural, o evento contou com a participação da Orquestra Experimental do CSA, do grupo de Dança Folclórica, do Coral Infantil do CSA e de alunos do curso extracurricular de Violino.

     

     

    NOVO OLHAR

     

    O conteúdo apresentado pelos palestrantes revela dimensões despercebidas no cotidiano da devoção mariana, embora norteadas pelo Concílio Vaticano II. Iniciado em 1962, sob João XXIII, e concluído em 1965, sob Paulo VI, o XXI Conselho Ecumênico da Igreja Católica, como também é conhecido, lançou um novo olhar sobre a mãe de Jesus.

     

    “Recomenda-se o culto à Maria, evitando tantos os exageros quanto à demasiada estreiteza de espírito. A verdadeira devoção à Maria não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa vã credulidade, mas no reconhecimento da figura de Maria e no seguimento de suas virtudes”, orienta um dos mais importantes textos do concílio, Lumen Gentium (Luz dos Povos).

     

    fre-jonasUsando, como exemplo, orações e cantos tradicionais, frei Joaquim Fonseca apontou os “exageros” da devoção popular à Virgem – na qual ela às vezes é revestida de “qualidades divinas”. No entanto, ela é, na realidade, “a primeira discípula”, modelo de fé e personificação da comunidade dos irmãos em Cristo. “Na Virgem Maria, tudo é relativo a Cristo e dependente dele”, afirmou frei Joaquim: “Foi em vista dele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos”.

     

    Entre os equívocos consolidados pela tradição está a chamada “consagração a Nossa Senhora” após o batismo. Na verdade, quem nos consagra é Deus, por meio do Espírito Santo. O que ocorre naquele instante é um ato de devoção à mãe de Jesus, no qual se confia a criança consagrada no batismo à sua proteção.

     

     

    “PONTO DE UNIDADE”

     

    O papel de Maria a partir de uma abordagem histórica, apresentado por frei Jonas, foi particularizado por dom João Justino no contexto da América Latina e da Teologia da Libertação. A partir daí, tornou-se ainda mais clara a importância desse debate para o diálogo ecumênico. Como afirmou o palestrante cristão Fabrício Veliq, para que haja uma maior aproximação entre as igrejas que creem na Palavra, deve-se ir além da questão conceitual e terminológica. De um lado, é preciso evitar os exageros populares da piedade mariana e, do outro, voltar aos primeiros reformadores.

     

    Veliq recorreu a Lutero como exemplo: embora não concorde com a adoração e a intercessão de Maria, porque não mencionadas nas escrituras, o reformador reconhece a graça a ela concedida. Graça essa que Maria responde, inspirada pelo Espírito Santo, em Lucas 1: 46-48: “Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,/E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;/Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada”.coral

     

    Ao agregar ao debate uma perspectiva feminista, Tânia Mayer enfatizou três aspectos da figura de Maria: “Ela não é uma serva no sentido passivo, pois faz a sua escolha e acolhe o pedido de Deus na responsabilidade”; “ela é destemida” e “não é mulher do silêncio, ela é profeta da libertação”.

     

    Para aqueles que participaram do seminário, a Mariologia Ecumênica se apresentou em todos os desafios a serem enfrentados pelas divergências existentes na visão de Maria entre as religiões cristãs. No entanto, como lembrou frei Jonas, a “grande possibilidade” de concretização desse projeto ecumênico está ponto de unidade em torno da figura da mãe de Jesus para todos os cristãos: “Ela não representa a si, ela aponta o Cristo, que é o ponto central da fé”, resume frei Jonas.

     

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